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28.10.2019
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Caparroz
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Primeira foto juntos

Era uma vez, um menino de 18 anos, evangélico de uma das igrejas mais tradicionais e de uma família tão tradicional quanto. Esse menino, de certa forma, nunca se sentiu à vontade em se expressar emocionalmente, nunca teve liberdade para conversar sobre todas as coisas com os pais e isso dificultou muito seu autoconhecimento. Eis que um ser muito criativo resolveu desenvolver um app chamado Tinder. Tudo na vida desse menino começou a traçar um caminho que para ele fazia mais sentido no ano de 2014, no momento que ele resolveu fazer o download deste app mágico.
No início, este menino não fazia ideia do que sentia. Mas sabia que não era uma coisa “normal”. Portanto, resolveu usar a ferramenta do Tinder em que se direciona as buscas para menininhos e menininhas. No início, este aplicativo foi usado apenas para um passatempo, haja visto que este menino não iria se encontrar com ninguém, nem desenvolver uma conversa com qualquer pessoa que seja. Tudo isso por dois motivos. O primeiro, por causa de sua família e religião, já que ele não podia sair com qualquer pessoa, ir pra qualquer lugar, afinal, era pecado e coisa do “tinhoso”. O segundo motivo é que este menino mantinha um relacionamento com uma garota. Desde o início ele se sentia culpado por usar um aplicativo como este, mas por algum motivo não desinstalou (talvez fosse o destino que não deixava ele fazer isso, como vai ser possível notar a seguir).

Eis que passou 3 meses que havia baixado o app e este menino ainda não sabia se era hétero (não, hétero não era, senão nem colocaria a busca de menininhos), se era bi, se era gay, se era o que quer que seja. Passava pelo momento de descoberta pessoal.

Até que, no dia 26 de fevereiro, um match (quanto duas pessoas dão “coraçãozinho” no app) veio para mudar eternamente e completamente sua vida. Sabe aqueles que vem fazer sua vida virar tipo uma roda gigante? Pois é, foi bem isso que aconteceu. Neste dia ele conheceu a pessoa que iria transformar seus dias e suas noites. Iria transformar seus sentimentos. Iria mostrar pra ele qual é seu verdadeiro sentimento e orientação sexual.

Papo vai, papo vem, eis que ele descobre que esta pessoa passou pelo mesmo processo de autoconhecimento. Ah, é importante falar que esta pessoa também era um menininho. Juntos eles passaram pelo processo de auto aceitação e autoconhecimento. Juntos eles descobriram um outro mundo. Juntos eles descobriram que o mundo acordou purpurinado naquele dia tão especial.

Acontece que este menininho evangélico de família tradicional ainda estava em um relacionamento. E ele sabia que isso ia causar um desconforto bem grande para ele e todas as pessoas envolvidas. Quando descobriram seu “affaire” com um menino, foi a pior coisa que poderia acontecer com sua vida até aquele momento. A onda de preconceitos começou dentro de sua casa e de sua família (com aquela tentativa dos pais de compreender sua sexualidade, sem aceitar). Seus pais tentaram fazer com que sua sexualidade fosse mudada na igreja (ele preferia acreditar que por ignorância, e não preconceito, mas no fundo sabia que o preconceito era muito grande em relação a isso), alguns chamariam de “cura gay”. Óbvio que isso não aconteceu e ele continuou brilhando seu glitter em sua vida.

Vendo que não tinha solução e que isso fazia parte do menino, seus pais resolveram respeitar sua orientação sexual, deixando bem claro que não a aceitava, mas passou a contribuir mais com os desejos do menino. Sendo assim, os dias foram passando, os dois meninos conversavam o dia inteiro (sem interrupções), houveram alguns conflitos, passaram pela fase de conhecimento, passaram pela fase de saber os signos, as datas de aniversário, alguns gostos, algumas manias, e no dia 14 de abril de 2014 o menininho da família evangélica pediu o menininho do Tinder em namoro.

A partir desse dia, as borboletas que estavam no estomago desses meninos saíram para o mundo e viraram um lindo arco-íris colorindo o céu dos dois. Era como se o mundo fosse todo colorido e só existisse a felicidade desses dois meninos no mundo e tudo que eles viam eram flores nos campos.

Hoje, esses dois meninos estão um passo à frente neste relacionamento. Hoje eles moram juntos há mais de 3 anos e estão muito felizes com esta nova vida. Já casaram? Não, AINDA.

E é com muito orgulho, que posso dizer que esta história acima é a minha história. A história do meu autoconhecimento, da minha aceitação, das descobertas da vida e de como o Tinder mudou completamente a minha vida, quando conheci o serumaninho que completa minhas manhãs, que completa meus dias e minhas noites, que completa tudo que está em mim. Este serumaninho que está presente na minha vida há mais de cinco anos e fez mudanças enormes em mim. Me fez ver que minha vida é muito importante e que eu devo ter orgulho do que faço e de quem eu sou.

É por ele que eu posso dizer que minha luta diária tem um sentido. É por saber que minha luta LGBT faz mais sentido quando eu tenho um porquê de lutar. E é por ele, Vitor Garcia, que acordo todos os dias querendo lutar mais e mais, para ter a certeza de que nossos direitos serão estabelecidos e que poderemos viver uma vida mais linda e mais bela.